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| Postado em 31 de março de 2025 às 8:20

“Faixa de Pedestres: Uma Linha de Vida Ignorada no Trânsito Brasileiro”

“Faixa de Pedestres: Uma Linha de Vida Ignorada no Trânsito Brasileiro”

No Brasil, a faixa de pedestres deveria ser sinônimo de segurança, mas na prática ela se tornou um espaço de alto risco. Apesar de ser um dos símbolos mais básicos de respeito à vida no trânsito, a faixa tem sido negligenciada por motoristas e até mesmo por pedestres. Os dados são alarmantes: segundo o DataSUS, cerca de 25% das mortes de pedestres ocorrem sobre ou próximas à faixa de pedestres, um número que escancara o descaso generalizado com a segurança viária.

A ilusão da segurança

A faixa de pedestres, em teoria, representa um espaço protegido. Nas legislações de trânsito e nos manuais de direção, o respeito à travessia é obrigatório. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro: a preferência é sempre do pedestre. No entanto, a realidade nas ruas mostra que a regra é constantemente ignorada, principalmente nos grandes centros urbanos.

Motivos são vários: desde o despreparo na formação dos condutores, a baixa fiscalização, até a falta de educação para o trânsito desde os primeiros anos escolares. A travessia, que deveria ser um momento simples e seguro, muitas vezes se torna um jogo de sorte.

O comportamento de risco

Um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária aponta que mais de 60% dos motoristas não reduzem a velocidade ao se aproximarem de uma faixa, mesmo quando há pedestres visivelmente prontos para atravessar. Em algumas regiões, essa taxa é ainda maior. O que isso revela é um padrão de comportamento coletivo que naturaliza o risco.

O pedestre, por sua vez, também adota estratégias perigosas: atravessa fora da faixa, em locais sem visibilidade ou corre para tentar “driblar” os carros. Trata-se de uma resposta instintiva ao medo — medo de não ser visto, de não ser respeitado ou, em muitos casos, de ser atropelado mesmo estando “protegido” pela sinalização.

Quando a faixa não protege

Casos emblemáticos vêm à tona todos os anos, como o de crianças atropeladas ao saírem da escola, idosos atingidos mesmo com o sinal fechado para carros, ou ciclistas empurrando suas bicicletas sobre a faixa sendo ignorados. A negligência institucional também contribui: há faixas mal sinalizadas, apagadas, mal posicionadas ou em locais onde a visibilidade é comprometida.

Segundo o Relatório Mundial da OMS sobre Segurança no Trânsito, o Brasil está entre os países com maior taxa de mortalidade no trânsito — e os pedestres são uma das principais vítimas. A faixa de pedestres, em vez de ser um instrumento de proteção, muitas vezes serve apenas como estatística do descaso.

Soluções possíveis

A reversão desse cenário exige medidas práticas e urgentes:

• Educação contínua: campanhas públicas de conscientização e inclusão da educação para o trânsito nas escolas.

• Revisão da infraestrutura urbana: mais faixas elevadas, sinalização clara e travessias inteligentes.

• Fiscalização eficiente: uso de tecnologia para flagrar desrespeito, aplicação de multas e pontos na carteira.

• Valorização da vida: criar uma cultura de respeito ao pedestre como prioridade no planejamento urbano.

Conclusão

Respeitar a faixa de pedestres é respeitar a vida. O Brasil precisa urgentemente transformar esse espaço simbólico em um verdadeiro refúgio de segurança para quem caminha. Enquanto isso não acontece, a faixa continuará sendo, paradoxalmente, um dos lugares mais perigosos para o pedestre brasileiro.


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