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Quando o trânsito vira campo de batalha: A Urgência de resgatar a tolerância nas ruas
A buzina não é mais um alerta. É um grito de guerra. O farol alto, um sinal de provocação. Um gesto impensado, um olhar atravessado, uma ultrapassagem mal interpretada — e o que deveria ser apenas um deslocamento cotidiano se transforma num duelo irracional, perigoso e, cada vez mais, mortal.
Vivemos uma triste escalada da violência no trânsito, onde a ausência de tolerância tem se mostrado tão letal quanto o excesso de velocidade. O que começou como um bate-boca banal, um xingamento no calor do momento, termina com golpes, tiros, vidas destruídas e famílias em luto. Não estamos mais apenas falando de acidentes. Estamos falando de agressões, linchamentos e assassinatos por motivos fúteis, movidos por um impulso incontrolável de “ter razão” — como se a vida do outro valesse menos do que o próprio orgulho ferido.
Cada notícia que lemos sobre mais um ato de violência no trânsito é um lembrete cruel de que perdemos a capacidade de ceder. Perdemos o senso de humanidade no asfalto. O trânsito, que deveria ser um espaço de convivência, se tornou um palco para explosões emocionais, onde o ego dirige com mais força que o volante.
E a pergunta que nos persegue é: Quando foi que desaprendemos a respirar fundo?
A pressa virou regra. A empatia, exceção. Esquecemos que quem está no outro carro tem família, tem história, tem medos — como nós. A intolerância nos desumaniza. E ela mata. Silenciosamente. Como um veneno que escorre entre faíscas de raiva contida, até que explode.
Precisamos urgentemente resgatar o essencial: o respeito pela vida. Precisamos de mais educação, sim — mas precisamos, sobretudo, de coração. De lembrar que no trânsito, como na vida, ninguém chega a lugar algum se só houver disputa, se só existir impaciência.
Sejamos nós a mudança. Que ao invés de revidar, a gente respire. Que ao invés de buzinar com fúria, a gente dê passagem com gentileza. Que ao invés de gravar uma briga, a gente evite que ela comece.
Porque cada gesto de calma pode ser a diferença entre voltar para casa ou virar estatística. Que o trânsito não seja nossa arena de batalhas, mas sim nosso caminho de convivência.
E que a vida — sempre ela — seja o nosso destino mais importante.
Por João Eduardo Melo – Instituto VIA / Instagram: @institutovia @joaoeduardojp