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Estudo do Senatran é inconclusivo e não pode embasar o fim das aulas obrigatórias
O estudo divulgado pelo Senatran tenta sustentar a ideia de que a obrigatoriedade de aulas práticas nas autoescolas não reduz sinistros ou mortes no trânsito. No entanto, a própria análise é limitada, inconclusiva e baseada em cálculos abstratos, restritos a apenas três estados, ignorando a realidade de todo o Brasil.
Um sinistro de trânsito é resultado de vários fatores: condições da via, tempo, clima, iluminação, manutenção da sinalização e fiscalização. Mesmo motoristas que conhecem as normas — porque passaram por instrução — podem não segui-las, e a ausência de fiscalização nas vias é um elemento determinante para o aumento de acidentes e mortes.
A pesquisa do Senatran ignora que a formação é apenas um dos elos da cadeia de segurança viária, mas é o elo inicial, que prepara o condutor para enfrentar condições adversas. Dizer que não há relação estatística e, a partir disso, defender o fim da obrigatoriedade é negligenciar a prevenção.
Além disso, quem garante que, sem a obrigatoriedade das aulas, o número de sinistros e mortes não seria ainda maior? A ausência de efeito estatístico não significa que a formação não tenha importância — significa apenas que o estudo não foi capaz de medi-la adequadamente.
Colocar em risco vidas nas ruas e estradas com base em um levantamento tão restrito e parcial é um erro que o Brasil não pode cometer. Segurança no trânsito se constrói com educação, fiscalização e infraestrutura, não com cortes na formação.