Mortes podem superar o total de 650 mortes, em função dos 5 mil feridos; esse dados são apenas das rodovias federais durante os primeiros 20 dias da Operação Rodovida, considerando óbitos no local e após os sinistros

Entre os dias 16 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, pelo menos 400 pessoas morreram no local dos acidentes nas rodovias federais brasileiras, enquanto quase 5 mil ficaram feridas.

Considerando que, em média, cerca de 5% dos feridos evoluem para óbito até 30 dias após o sinistro, a projeção indica aproximadamente mais 250 mortes nos dias subsequentes, elevando o total para cerca de 650 óbitos relacionados ao período inicial da Operação Rodovida.

A média diária foi de aproximadamente 20 mortes por dia apenas nas rodovias federais, número superior à média diária registrada durante o ano de 2024, que já ultrapassava 17 óbitos por dia.

O SOS Estradas havia projetado ao menos 500 mortes, considerando os óbitos ocorridos até 30 dias após os acidentes. Na prática, os dados preliminares indicam que a estimativa foi superada em mais de 20%, confirmando um cenário ainda mais grave do que o previsto.

Importante destacar que o balanço da PRF é ainda parcial. Após a coleta total de dados os números serão provavelmente maiores aos apurados até este momento.

Dados divulgados pela PRF

Segundo a Polícia Rodoviária Federal(PRF), entre os dias 16 e 23 de dezembro, foram registrados 1.861 sinistros, com mais de 2.100 feridos e 163 mortes, o que resultou em uma média diária de 20 óbitos — significativamente acima da média anual.

Durante a Operação Natal, realizada entre 23 e 28 de dezembro, os dados preliminares apontaram 1.196 sinistros, 111 mortes e 1.347 feridos, com média diária de 18,5 mortos e 224,5 feridos.

Já na Operação Ano Novo, entre 30 de dezembro e 4 de janeiro, a PRF contabilizou preliminarmente 1.152 sinistros, 109 mortes e 1.315 feridos.

Somados os dados divulgados nesses 19 dias, foram registradas 383 mortes no local dos acidentes e 4.762 feridos, números restritos apenas às rodovias federais. Os dados não incluem o dia 29 de dezembro, o que justifica a estimativa de 400 mortos na pista.

Mais de 1.000 mortos com dados das rodovias estaduais

Para o coordenador do SOS Estradas,Rodolfo Rizzotto, os números precisam ser analisados em períodos mais amplos. Segundo ele, balanços curtos não refletem a real dimensão do problema.

Rizzotto defende que os dias 29 de dezembro e 5 de janeiro também deveriam ser incluídos nos balanços de feriado, já que muitos motoristas retornam na segunda-feira após datas festivas, como ocorreu após o Natal e se repete após o Ano Novo.

“Apesar do esforço extraordinário dos PRFs, o mais trágico é que nossa estimativa de 500 mortos foi superada em pelo menos 20%, considerando os óbitos no local e aqueles estimados até 30 dias após o sinistro. Esse número costuma dobrar quando incluímos as rodovias estaduais. Assim, é possível afirmar que, no mesmo período, entre 16 de dezembro e 4 de janeiro, pelo menos mil pessoas morreram e quase 10 mil ficaram feridas no país e destas 500 vão morrer em até 30 dias”, afirma Rizzotto.

Segundo divulgado pela Polícia Militar Rodoviária de São Paulo, apenas nas rodovias estaduais, foram registradas 37 mortes em quatro dias (entre 24 e 28 de dezembro), média equivalente à metade das mortes diárias observadas nas rodovias federais, que abrange as 27 unidades da federação.

Fonte: Estradas.com.br