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| Postado em 27 de janeiro de 2026 às 10:08

CNH Digital aponta validade, DETRAN mostra vencida: o caos das informações no trânsito

CNH Digital aponta validade, DETRAN mostra vencida: o caos das informações no trânsito

A promessa da Carteira Digital de Trânsito (CDT) era clara: modernizar, simplificar e dar segurança jurídica ao cidadão. Na prática, porém, o que vem sendo relatado por agentes, servidores e condutores em todo o Brasil é um cenário preocupante de informações conflitantes entre o sistema nacional e os bancos de dados dos DETRANs estaduais.

Casos têm se multiplicado em que a CNH aparece válida e automaticamente renovada na carteira digital, enquanto, ao ser consultada nos sistemas internos dos DETRANs ou em plataformas de fiscalização, consta como vencida, inexistente ou até fora da base de dados.

Um relato de bastidor ilustra bem a gravidade do problema:

“Meu filho tem na Carteira Digital, mas não aparece no nosso sistema. As carteiras digitais que estão sendo renovadas automaticamente continuam vencidas aqui. Quer dizer: o condutor está com a CNH digital válida, mas quando a gente consulta no sistema do DETRAN ela dá vencida. Se ele mostrar a digital à polícia e o agente consultar, vão aparecer duas informações diferentes. Isso mostra que as informações da carteira digital não estão conversando com o nosso sistema. São decisões feitas às pressas, sem testes, e que não funcionam na prática.”

O conflito de dados gera insegurança jurídica imediata. Afinal, qual informação deve prevalecer numa abordagem policial? A apresentada oficialmente pelo aplicativo do governo federal ou a exibida no sistema estadual utilizado pelo agente de trânsito?

Mais grave ainda: o cidadão, que cumpriu suas obrigações e confiou na ferramenta oficial, acaba exposto a autuações indevidas, retenções de veículo, constrangimentos e longos processos administrativos para provar que estava regular.

Especialistas em gestão pública e trânsito alertam que o problema não é tecnológico, mas institucional. Falta integração efetiva, testes de consistência, validação cruzada de dados e, principalmente, respeito às competências dos entes federativos. Digitalizar sem alinhar processos apenas transfere o erro do papel para a tela.

Nos bastidores dos DETRANs, o sentimento é de frustração. Sistemas_attachados de forma apressada, muitas vezes por decisões políticas de curto prazo, acabam não dialogando com as bases estaduais já consolidadas. O resultado é um apagão de confiabilidade.

Enquanto isso, o condutor fica no meio do fogo cruzado:

– confia na CNH Digital e corre o risco de ser penalizado;

– ou desconfia do próprio aplicativo oficial do governo.

Modernizar é necessário. Mas modernizar sem integração, sem testes e sem escuta técnica é criar um problema maior do que o que existia antes.

No trânsito — onde uma informação errada pode gerar multa, processo ou até prisão — tecnologia sem consistência não é avanço. É risco.


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