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| Postado em 29 de janeiro de 2026 às 6:53

CNH sem baliza: especialistas alertam para riscos reais no trânsito

CNH sem baliza: especialistas alertam para riscos reais no trânsito

A recente mudança no processo de habilitação no Brasil — com a eliminação da manobra de baliza como etapa obrigatória do exame prático para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) — está gerando debates intensos e preocupações entre instrutores de trânsito, especialistas em segurança viária e, inclusive, no setor de seguros. A medida já foi adotada por diversos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), como os de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Amazonas, e faz parte de uma modernização que prioriza a condução em vias públicas em vez de manobras específicas entre estacas.

Mudança nas regras do exame

As novas diretrizes — embasadas na resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) — retiram a exigência clássica da baliza pelo candidato, concentrando a avaliação na circulação em vias públicas e situações cotidianas, como conversões, uso de sinalização e condução defensiva. Alguns estados também já permitem a realização do exame com carros de câmbio automático, antes restritos a casos especiais, além de adotarem sistemas de pontuação mais flexíveis para infrações durante a prova.

A justificativa oficial é de que o modelo antigo estava desatualizado e pouco alinhado com a realidade do trânsito urbano moderno — marcado por veículos automáticos e demandas de atenção mais complexas na circulação diária.

Preocupações de instrutores e especialistas

Apesar da modernização pretendida, a medida dividiu opiniões. Instrutores e candidatos entrevistados em São Paulo alertam que a eliminação da baliza pode comprometer a qualidade da formação dos futuros motoristas. Muitos defendem que a habilidade de estacionar com precisão — especialmente em vagas paralelas — continua sendo relevante no trânsito urbano e que sua ausência no exame prático pode resultar em motoristas menos preparados para manobras comuns do dia a dia.

Segundo relatos de profissionais, a mudança também impacta diretamente o setor de formação de condutores, com relatos de demissões em autoescolas e preocupações com a estabilidade do emprego de instrutores. Alguns defendem que a baliza é uma técnica que desenvolve controle de veículo, atenção e percepção espacial — qualidades que deveriam fazer parte de uma formação sólida antes de dirigir em vias públicas.

Segurança viária e risco de acidentes

A baliza, apesar de considerada uma etapa “temida” por muitos candidatos, representa uma prática de controle de veículo em espaços reduzidos — algo que ocorre diariamente nas cidades, em estacionamentos, vias estreitas ou ao buscar vagas paralelas. Estudos de segurança viária mostram que ambientes com veículos estacionados ou dificuldades de estacionamento estão associados a um maior número de colisões leves e situações de risco, justamente porque aumentam a carga de tarefas visuais e cognitivas do motorista enquanto circula pelo trânsito urbano.

Isso pode potencialmente elevar situações de risco, principalmente quando motoristas menos experientes tentam estacionar sem habilidade adequada, resultando em pequenas colisões, danos materiais ou frenagens bruscas.

Impacto no acionamento de seguros

Embora seguradoras ainda não tenham divulgado dados oficiais sobre o efeito direto da mudança, especialistas do setor apontam que o aumento de colisões leves em estacionamentos e manobras rotineiras pode elevar a frequência de acionamentos de apólices, impactando custos operacionais e, futuramente, a precificação de seguros.

Em países onde a habilidade de estacionar é um componente opcional nos exames, pesquisas internas de seguradoras frequentemente associam erros em manobras de estacionamento a maior probabilidade de sinistros leves — principalmente envolvendo batidas traseiras ou laterais. Embora os modelos de seguro variem, é consenso no setor que mais colisões, mesmo leves, podem resultar em maior número de reclamações e, em longo prazo, ajustes nas políticas de cobertura.

Pontos de convergência e recomendações

Apesar das preocupações, há consenso entre especialistas de que a baliza não deve desaparecer totalmente do processo de formação do motorista. Muitos defendem que, mesmo sem ser eliminatória na prova, a técnica deveria continuar sendo ensinada por instrutores como parte essencial da formação prática — refletindo a realidade do convívio urbano.

Além disso, organizações de segurança viária sugerem que a avaliação de novos motoristas priorize competências amplas de percepção, atenção e tomada de decisão no trânsito real, mas sem desconsiderar habilidades técnicas básicas, como estacionamento e posicionamento de veículo em espaços complexos.


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