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| Postado em 29 de janeiro de 2026 às 5:29

Indústria automotiva pode enfrentar nova crise com avanço da I.A.

Indústria automotiva pode enfrentar nova crise com avanço da I.A.

Depois de viver uma das fases mais turbulentas de sua história recente com a falta de semicondutores durante a pandemia, o setor automotivo volta a observar o mercado de chips com cautela. Desta vez, o alerta não vem de problemas logísticos ou sanitários, mas sim do crescimento acelerado da inteligência artificial, que tem consumido capacidade produtiva das fabricantes de componentes eletrônicos em tempo recorde.

A explosão de aplicações de IA, especialmente em data centers, serviços em nuvem e sistemas de aprendizado de máquina, elevou a procura por processadores de alto desempenho e chips especializados. Empresas de tecnologia, que operam com margens de lucro maiores e volumes bilionários de investimento, passaram a disputar a produção das principais fundições do mundo.

Esse movimento recente pode gerar um efeito colateral direto para as montadoras. Como os carros modernos que dependem de dezenas, e às vezes centenas, de semicondutores para gerenciar desde a central multimídia até sistemas de segurança e assistência à condução, qualquer restrição no fornecimento tende a afetar prazos de produção e entrega.

O cenário lembra o que ocorreu entre 2020 e 2022, quando a escassez global de componentes forçou paralisações de fábricas, cortes de turnos e filas de espera para veículos novos. Na época, modelos foram lançados sem determinados equipamentos ou tiveram funcionalidades temporariamente removidas para contornar a falta de peças.

A diferença agora é que a pressão não vem de uma interrupção inesperada, mas de uma mudança estrutural na demanda. Com a corrida das I.As apenas começando, empresas de tecnologia tendem a continuar absorvendo grande parte da capacidade das fundições, o que pode tornar os chips automotivos menos atrativos financeiramente.

Diante desse risco, algumas montadoras já estudam estratégias para reduzir a dependência, como contratos de longo prazo com fornecedores, estoques maiores de segurança até o desenvolvimento de semicondutores próprios ou plataformas eletrônicas mais padronizadas. A ideia é evitar repetir a vulnerabilidade exposta na crise recente.

Se a tendência se confirmar, a próxima escassez de chips pode não ter origem em um evento extraordinário, mas sim na competição direta com um dos setores mais lucrativos da atualidade. Para a indústria automotiva, isso significa que a disputa por tecnologia deixará de ser apenas por inovação e passará também pela garantia de acesso a esses componentes para manter as linhas de montagem em funcionamento.

Fonte
Vrum


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