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Detrans e Senatran divergem sobre retirada da baliza e expõem impasse na segurança viária
A retirada da prova de baliza do exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem provocado um racha institucional entre Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Enquanto alguns estados realizam a mudança e alertam para riscos à segurança viária, a Senatran segue defendendo flexibilizações no processo de formação de condutores, mesmo diante de críticas técnicas e operacionais.
Em diversos Detrans, a baliza é considerada uma etapa essencial para avaliar habilidades básicas de condução, como controle do veículo em espaços reduzidos, noção de distância, uso correto dos retrovisores e domínio da embreagem. Gestores e técnicos afirmam que a exclusão da prova compromete a qualidade da avaliação e pode resultar na habilitação de condutores despreparados para situações comuns do trânsito urbano.
Apesar das manifestações contrárias, a Senatran tem sinalizado apoio a mudanças que simplificam o exame prático, sob o argumento de modernização e redução de custos. Para críticos, no entanto, o discurso ignora dados de segurança viária e transfere para os estados a responsabilidade por eventuais consequências negativas.
Instrutores de trânsito e representantes de Centros de Formação de Condutores (CFCs) também se posicionam contra a retirada da baliza. Eles apontam insegurança jurídica, falta de padronização nacional e decisões tomadas sem amplo diálogo com quem atua diretamente na formação dos futuros motoristas.
Especialistas alertam que, em um país com altos índices de sinistros de trânsito, qualquer flexibilização no processo de habilitação deveria ser precedida de estudos técnicos aprofundados e debate público.
O impasse entre Detrans e Senatran expõe uma condução centralizada e pouco sensível às realidades locais. Enquanto estados defendem critérios mais rigorosos, a política nacional de trânsito parece caminhar na contramão da prevenção e da responsabilidade, reacendendo o debate sobre quem, de fato, está comprometido com a segurança nas vias brasileiras.
Fonte
Redação TransitoWeb