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QUARESMA NO TRÂNSITO: TEMPO DE CONVERSÃO AO VOLANTE
A Quarta-feira de Cinzas nos lembra algo essencial: “Tu és pó e ao pó voltarás.”
Não é uma frase de medo. É uma convocação à consciência.
A Quaresma é tempo de conversão, penitência e jejum. Tempo de rever atitudes, corrigir rumos e abandonar comportamentos que ferem a nós mesmos e aos outros. Mas já pensou em levar essa reflexão também para o trânsito?
E se a nossa conversão começasse pelo volante?
O trânsito é o maior espaço público de convivência diária. Nele, compartilhamos vias, decisões e responsabilidades com desconhecidos que, assim como nós, têm família, sonhos e alguém esperando seu retorno para casa.
Converter-se no trânsito é abandonar a pressa irresponsável.
É jejuar da imprudência.
É fazer penitência da arrogância ao volante.
É trocar a buzina agressiva pelo gesto paciente.
É substituir a disputa por espaço pelo respeito à vida.
É entender que dirigir não é um ato de poder, mas de responsabilidade.
Quando aceleramos além do permitido, quando usamos o celular ao volante, quando insistimos em ultrapassagens perigosas ou dirigimos sob efeito de álcool, estamos escolhendo a cultura da morte. Estamos esquecendo que somos frágeis. Que somos pó.
A Quaresma nos chama à humildade. E a humildade no trânsito é reconhecer que ninguém é dono da via. Somos todos passageiros da mesma estrada da vida.
Que tal, neste tempo quaresmal, levantar a bandeira da paz no trânsito acima de qualquer outro propósito?
Que o nosso maior objetivo ao dirigir seja simples e poderoso:
voltar para casa bem e em paz — e permitir que o outro também volte.
Empatia não é fraqueza. É maturidade.
Respeitar a faixa de pedestre é proteger um pai, uma mãe, um filho.
Reduzir a velocidade é preservar futuros.
Dar preferência é praticar amor concreto.
Se somos pó e ao pó retornaremos, que nossa passagem pelas ruas e rodovias seja marcada pela responsabilidade e pelo compromisso com a vida.
Que possamos nos “empoleirar” na direção do veículo do amor à vida.
Que cada volante seja um altar de decisão consciente.
Que cada trajeto seja um exercício de civilidade.
A verdadeira conversão começa nas pequenas atitudes.
E talvez a maior penitência que possamos assumir seja abandonar, definitivamente, a violência no trânsito.
Porque dirigir também é um ato moral.
E salvar vidas é sempre o melhor caminho.
— João Eduardo Moraes de Melo – Especialista em Trânsito