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| Postado em 04 de fevereiro de 2026 às 9:45

A retirada da baliza e os riscos à segurança no trânsito brasileiro

A retirada da baliza e os riscos à segurança no trânsito brasileiro

A decisão da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) de permitir a retirada da prova de baliza do exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem provocado forte reação entre instrutores, especialistas em segurança viária e centros de formação de condutores em todo o país. Para esses profissionais, a medida representa um retrocesso e ignora aspectos fundamentais da condução segura no ambiente urbano.

A baliza não é apenas um exercício técnico. Ela avalia competências essenciais para a circulação diária nas cidades, como noção de espaço, controle do veículo em baixa velocidade, uso correto de espelhos, coordenação motora e tomada de decisão sob pressão. Estacionar corretamente entre veículos, em vias estreitas ou congestionadas, é uma situação rotineira para qualquer motorista, e também uma das que mais geram colisões leves, bloqueios de tráfego e conflitos no trânsito.

Dados de órgãos de trânsito mostram que grande parte dos incidentes urbanos ocorre em manobras simples, como estacionar ou sair de vagas. A ausência de treinamento adequado nessas situações contribui para o aumento de danos materiais, prejuízos à fluidez do tráfego e até atropelamentos, especialmente em áreas comerciais e escolares.

Ao flexibilizar ou eliminar a exigência da baliza, a Senatran argumenta que o objetivo é tornar o processo de habilitação mais simples e acessível. No entanto, críticos afirmam que a medida transfere para o trânsito real, com pedestres, ciclistas e outros veículos, a responsabilidade de “ensinar” o condutor iniciante, o que ele deveria ter aprendido e sido avaliado antes de receber a CNH.

Instrutores de trânsito alertam ainda que a retirada da baliza desestimula o treinamento completo durante a formação do condutor. Sem a exigência no exame, muitos candidatos deixam de praticar a manobra, reduzindo o nível técnico médio dos novos motoristas que passam a circular nas cidades.

Outro ponto de preocupação é a falta de uniformidade. Detrans seguem a orientação da Senatran e retiraram a baliza, apesar de entenderem sua relevância pedagógica e preventiva.

Especialistas em segurança viária defendem que qualquer mudança no exame prático deveria ser precedida de estudos técnicos, análises de impacto e ampla discussão com a sociedade. Para eles, simplificar o exame não pode significar reduzir critérios de segurança, especialmente em um país que ainda registra índices elevados de acidentes de trânsito.

A baliza, longe de ser um mero obstáculo ao candidato, sempre foi uma ferramenta de avaliação de responsabilidade, atenção e respeito ao espaço coletivo. Sua retirada levanta um questionamento inevitável: o Brasil está formando motoristas para facilitar estatísticas administrativas ou para garantir um trânsito mais seguro para todos?

Fonte
Redação TransitoWeb


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