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Alisson Maia
Afinal, quem está bancando tanta mídia para acabar com as autoescolas no Brasil?
Por Alisson Maia
Nos últimos meses, o nome do ministro dos Transportes, Renan Filho, tem se tornado uma figura constante nas redes sociais e manchetes de portais de notícias. Mas não por causa de obras, investimentos ou avanços na infraestrutura do país.
O ministro encontrou uma nova bandeira — e, curiosamente, uma das mais controversas: acabar com as autoescolas.
Sim, o mesmo setor que há décadas forma condutores, educa para o trânsito, emprega centenas de milhares de brasileiros e gera bilhões em arrecadação, passou a ser o alvo preferido de uma narrativa que mistura interesses políticos, econômicos e pessoais.
Há mais de quatro meses, Renan Filho repete o mesmo discurso em suas aparições digitais: que as autoescolas seriam uma “máfia”, que criam “reserva de mercado” e “não servem de nada”.
Mas o tom vai além de uma crítica.
É uma campanha de destruição de reputação — uma cruzada pessoal, quase obsessiva.
E isso levanta a pergunta que o setor inteiro se faz: por que tanto ódio?
Nunca antes na história recente um ministro da República dedicou tanta energia a atacar um setor produtivo e formal, com empregos com carteira assinada, recolhimento de impostos e função social reconhecida por lei.
As autoescolas são, afinal, instituições educacionais, e não empresas de transporte.
Nos bastidores de Brasília, cresce a suspeita de que a ofensiva de Renan Filho não é apenas ideológica.
A proposta de “liberalizar a formação de condutores” abriria as portas para grandes grupos econômicos:
• Locadoras de veículos, interessadas em expandir mercado com motoristas recém-habilitados;
• Aplicativos de transporte, como Uber e afins, que lucram com o aumento da frota particular;
• Empresas de EAD e tecnologia, prontas para oferecer cursos online e provas automatizadas;
• Gráficas e instituições privadas, que vislumbram contratos milionários com a mudança.
Tudo isso sem a necessidade de autoescolas — e, consequentemente, sem a intermediação do Estado.
Menos fiscalização, menos controle, mais lucro.
Para quem, exatamente?
Curiosamente, nenhum canal oficial do Governo Federal divulga a proposta de Renan.
Mas, enquanto o Planalto silencia, o ministro usa a estrutura da Senatran, o Ministério dos Transportes e seus perfis pessoais para divulgar vídeos, lives e entrevistas atacando o setor.
O que chama atenção é que muitos dos portais e blogs que publicam suas falas costumam cobrar caro por espaço publicitário — e, passaram a veicular o tema diariamente.
Quem está financiando essa narrativa?
De onde vem o dinheiro para tanta mídia?
Por que um ministro do governo Lula — o mesmo partido que, em 2022, assinou uma carta compromisso com as autoescolas, prometendo valorizar a formação de condutores — agora age na contramão do próprio discurso?
Relatos de bastidores indicam que o ministro chegou a ligar pessoalmente para líderes do setor e representantes de sindicatos, pressionando e intimidando quem ousa discordar de suas ideias.
Um comportamento atípico para quem ocupa um cargo público.
Tudo isso revela um perfil de vaidade e autopromoção, onde o foco parece não ser o trânsito — mas o próprio Renan Filho.
Cada vídeo, cada post, cada entrevista é uma oportunidade de exposição pessoal, numa tentativa de construir imagem política para futuras disputas eleitorais.
A pergunta é inevitável: ele quer reformar o trânsito ou reformar o próprio nome nas urnas?
Enquanto o ministro colhe curtidas, milhares de trabalhadores estão sendo demitidos em todo o Brasil.
Cada nova postagem é acompanhada de demissões em massa, fechamento de empresas e famílias desesperadas.
Instrutores, diretores, psicólogos, médicos, secretárias — toda uma cadeia produtiva está sendo desmantelada.
E o pior: parte da população, influenciada pela narrativa, acredita que será possível tirar a CNH sem aulas práticas, o que representa um risco direto à segurança viária.
O Brasil, que já registra mais de 30 mil mortes no trânsito por ano, pode ver esse número crescer ainda mais.
A proposta apresentada por Renan Filho não apenas abre o mercado para aplicativos e empresas privadas — ela cria concorrência desleal com recursos públicos, beneficiando entidades como o SEST/SENAT, que já recebem verba federal garantida.
Além disso, o texto prevê a atuação de instrutores autônomos, sem vínculo empregatício, sem controle, sem fiscalização.
Na prática, uma precarização em massa, travestida de modernização.
Se o objetivo fosse realmente reduzir custos, por que o ministro não aceitou discutir as propostas das entidades que há anos sugerem simplificação de processos e revisão de carga horária?
Por que preferir o conflito à construção, a exposição ao diálogo, a política à técnica?
As respostas, ao que tudo indica, estão fora das estradas e dentro dos bastidores.
Interesses bilionários, acordos políticos e um jogo de poder onde a educação para o trânsito virou apenas peça de propaganda.
O que deveria ser um debate sobre segurança e cidadania se transformou numa guerra de narrativas.
E, no centro dela, está um ministro que parece mais preocupado em aparecer do que solucionar.
Enquanto isso, as perguntas continuam ecoando nas ruas, nas redes e nas autoescolas que ainda resistem:
👉 Quem está bancando tudo isso?
👉 Por que tanto ódio contra um setor que educa e salva vidas?
👉 E o que o ministro Renan Filho realmente ganha com o fim das autoescolas?