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Alerta no trânsito na Paraíba: motocicletas respondem por mais de 80% das internações
Entre janeiro e agosto de 2025, os dois hospitais de referência em trauma do Estado da Paraíba registraram, somados, 15.852 atendimentos por acidentes de trânsito — dos quais 13.267 foram relacionados a acidentes com motocicletas. No mesmo período o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registrou 577 óbitos por acidente de transporte terrestre no estado.
O que dizem os boletins (Janeiro–Agosto/2025)
Os dados detalhados por unidade mostram a dimensão do problema:
Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (João Pessoa) — total de atendimentos: 7.966, sendo 6.382 acidentes de moto; acidentes de carro: 458; bicicleta: 534; atropelamentos: 592.
Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes (Campina Grande) — total de atendimentos: 7.886, sendo 6.885 acidentes de moto; acidentes de carro: 437; bicicleta: 239; atropelamentos: 325.
Dos atendimentos nestas duas unidades, as motocicletas representam aproximadamente 80,1% em João Pessoa e 87,3% em Campina Grande — uma participação combinada de ≈83,7% dos atendimentos por acidentes nas duas unidades.
Óbitos
O boletim de óbitos por acidente de transporte terrestre na Paraíba indica 577 mortes entre janeiro e agosto de 2025, com maior registro em maio (88 óbitos). Os dados do SIM foram acessados em 19/09/2025 e constam como parciais, sujeitos a alterações.
Interpretação criteriosa dos números
Predominância das motocicletas. A contundente participação das motocicletas entre os atendimentos (mais de 80% em ambas as unidades) confirma o padrão observado em muitos centros urbanos: a motocicleta é o veículo mais envolvido em atendimentos de emergência por trauma. Esse dado não substitui investigações sobre causas imediatas (velocidade, uso de capacete, álcool, condições da via), mas indica onde concentrar ações de prevenção e atenção pré-hospitalar.
Diferença entre atendimentos e óbitos. Os números de atendimentos hospitalares e os registros de óbitos vêm de matrizes diferentes (registros hospitalares de atendimentos e SIM de mortalidade). Não se deve equiparar diretamente as séries sem ajuste metodológico — contudo, ambos apontam para um cenário de elevada letalidade e morbidade por acidentes de transporte terrestre no estado.
Sazonalidade e picos mensais. Observa-se variação mensal nos atendimentos: em João Pessoa o maior mês foi abril (1.061 atendimentos) e em Campina Grande houve pico em agosto (1.138 atendimentos). Já os óbitos tiveram pico em maio (88). Essas flutuações sugerem fatores conjunturais (feriados, clima, campanhas, operações de fiscalização) que merecem análise local mais aprofundada.
Recomendações práticas (com base nos dados)
Como educadora de trânsito, e respeitando a necessidade de bases factuais para intervenções, proponho ações prioritárias e objetivas:
Foco nas motocicletas: campanhas específicas sobre uso correto do capacete (certificado, fechado e com jugular afivelada), equipamentos reflexivos, pilotagem defensiva e manutenção dos veículos.
Fiscalização inteligente: operações direcionadas às infrações que mais contribuem para a gravidade (excesso de velocidade, pilotagem em estado de alcoolização, transporte irregular de passageiros).
Infraestrutura e engenharia: identificar pontos críticos (trechos e interseções com maior incidência) e implantar medidas de acalmamento de tráfego, iluminação, travessias seguras e, onde possível, separação entre fluxos.
Atenção pré-hospitalar e redes de trauma: reforço de protocolos de atendimento, tempo-resposta e articulação entre SAMU, unidades de pronto-atendimento e hospitais de referência, dada a alta demanda por atendimentos por trauma.
Educação contínua: programas escolares e para motociclistas iniciantes (cursos, campanhas locais, materiais pedagógicos) articulados com a sociedade civil e setor produtivo (motofretistas, aplicativos).
Monitoramento e avaliação: sistematizar a análise mensal de dados (atendimentos e óbitos) para avaliar efeitos de políticas e ajustar ações em tempo real.
Nota metodológica e convite à ação
Os números citados provêm do boletim de atendimentos e do relatório de óbitos da Secretaria de Estado da Saúde/Paraíba (Janeiro–Agosto/2025) e foram extraídos diretamente do documento fornecido. Recomendo que gestores municipais e estaduais utilizem esses dados como ponto de partida para: 1) investigação local dos fatores que geram maior risco; 2) priorização de recursos; e 3) avaliação de impacto das medidas adotadas.
Fonte: Boletim Mensal — Atendimentos (Janeiro a Agosto/2025) e Óbitos por Acidente de Transporte Terrestre — SES-PB / hospitais de trauma. Dados acessados em 19/09/2025; óbitos informados como parciais, sujeitos a alterações.
Fonte
Abimadabe Vieira