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João Eduardo Moraes de Melo
Autoescola: última trincheira na formação de condutores e defesa da vida no trânsito
Por João Eduardo Moraes de Melo
Na linha de frente da mobilidade urbana segura, centros de formação de condutores resistem à banalização da habilitação e ainda são o principal pilar da educação para o trânsito no Brasil
Em meio a propostas que visam simplificar ou até eliminar a exigência de formação obrigatória para novos condutores, uma pergunta essencial se impõe: quem forma, de fato, o cidadão que vai assumir o volante em meio ao caos da mobilidade urbana brasileira?
As autoescolas, ou Centros de Formação de Condutores (CFCs), seguem sendo a última trincheira da educação para o trânsito, desempenhando um papel vital na preparação técnica, psicológica e ética de milhões de brasileiros. Muito mais do que ensinar a trocar marchas ou fazer balizas, esses centros são responsáveis por desenvolver condutores conscientes, que entendem que dirigir é um ato social e coletivo.
Educação que salva vidas
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ainda figura entre os países com maior número de mortes no trânsito. A cada ano, mais de 30 mil vidas são perdidas em sinistros viários, a maioria deles por imprudência, imperícia ou negligência — fatores diretamente ligados à formação deficiente ou ausência de educação continuada.
É nesse contexto que as autoescolas assumem protagonismo. Através de aulas teóricas e práticas, os futuros condutores aprendem não apenas as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas também noções de direção defensiva, cidadania, respeito à vida e convivência no espaço urbano.
“Não se trata apenas de ensinar alguém a dirigir, mas de formar uma mentalidade de cuidado com o outro, de empatia e responsabilidade”, afirma um especialista em segurança viária.
Banalização da CNH: um risco real
Nos últimos anos, projetos legislativos e debates públicos têm levantado propostas que flexibilizam ou mesmo eliminam a obrigatoriedade do ensino formal em autoescolas para obtenção da CNH. O argumento da “desburocratização” esconde um perigo: colocar nas ruas motoristas despreparados, sem noção de convivência no trânsito.
A “uberização” da formação de condutores, com cursos livres e sem controle pedagógico, pode comprometer anos de avanços na redução de acidentes. A formação profissional nas autoescolas ainda é a principal garantia de que o novo condutor teve contato com orientações qualificadas, avaliações técnicas e orientação ética.
Autoescolas como agentes de transformação
Além de formarem condutores, muitas autoescolas desenvolvem projetos de educação para o trânsito em escolas públicas, empresas, bairros e comunidades, atuando de forma integrada com órgãos municipais e estaduais.
Essa atuação faz das autoescolas verdadeiros agentes de cidadania e transformação social, colaborando com a conscientização coletiva e promovendo a cultura da paz no trânsito.
Em tempos de pressa, digitalização e desinformação, é preciso reconhecer o papel estratégico das autoescolas como trincheiras finais de resistência em prol da vida. Defender a formação qualificada é, sobretudo, defender o direito de ir e vir com segurança, para todos.
Porque no trânsito, como na vida, a pressa sem preparo pode custar muito caro. E às vezes, custa vidas.
Por: João Eduardo Melo – Presidente do Instituto VIA