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Brasil registra carnaval mais violento nas estradas
Por Alisson Maia
O trânsito brasileiro vive um paradoxo perigoso. Enquanto os números de acidentes e mortes crescem de forma alarmante, o país insiste em flexibilizar e enfraquecer a formação de condutores. O resultado dessa equação não poderia ser outro: motoristas cada vez menos preparados circulando em vias cada vez mais violentas.
Os dados do Carnaval de 2026 escancaram essa realidade. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 1.241 acidentes, 1.481 feridos e 130 mortes nas rodovias federais durante o feriado. Trata-se do Carnaval mais violento da década, com um aumento de quase 53% no número de óbitos em relação ao ano anterior.
Em 2025, no mesmo período, os números já eram preocupantes, mas significativamente menores: 1.190 acidentes, 1.433 feridos e 85 mortes. Em apenas um ano, o salto no número de vidas perdidas evidencia que algo está profundamente errado na política de segurança viária adotada no país.
É impossível ignorar o contexto. Nos últimos anos, mudanças promovidas pelo Governo Federal vêm reduzindo exigências, flexibilizando etapas e esvaziando o processo de formação de condutores, sob o argumento de desburocratização e redução de custos. Na prática, porém, o que se observa é a formação de motoristas com menos preparo técnico, menor consciência de risco e pouca noção de responsabilidade coletiva.
Fiscalização, por si só, não resolve. Multas aplicadas após o acidente não ressuscitam vítimas nem apagam traumas. Segurança no trânsito começa na formação, na sala de aula, no treinamento prático e na construção de uma cultura de respeito à vida. Países que reduziram drasticamente mortes no trânsito fizeram exatamente o oposto do que o Brasil vem fazendo: investiram mais em educação, exigência e qualificação.
Como já alertado por especialistas e entidades do setor, a tendência, se nada for feito, é de agravamento. Persistir nesse caminho é aceitar, de forma silenciosa, que mais famílias perderão seus entes queridos nas estradas e cidades brasileiras.
É urgente rever o modelo atual, resgatar a seriedade do processo de formação de condutores e recolocar a vida como prioridade máxima das políticas públicas de trânsito. Continuar flexibilizando é seguir na contramão — e, como os números mostram, essa escolha custa caro demais.
Formar bem não é obstáculo. É prevenção.
E prevenção salva vidas.