Trânsito Brasileiro
| Postado em 27 de janeiro de 2020 às 11:55

Brigas de trânsito causaram pelo menos 39 mortes em 2019; vídeo mostra perseguição

Por Redação Portal

O que leva uma pessoa a perder a cabeça e até a matar?

Brigas de trânsito causaram pelo menos 39 mortes em 2019; vídeo mostra perseguição
Essas brigas no trânsito refletem que nossa sociedade está doente/Divulgação

O que leva uma pessoa a perder a cabeça e até a matar? O Fantástico fez um levantamento nacional de brigas que terminaram em assassinatos em 2019. São histórias que mostram as consequências trágicas do descontrole ao volante. O que está sendo feito para conscientizar os motoristas?

Em vídeo, numa estrada perto de Curitiba, um casal está viajando de moto. Após uma discussão, os dois são perseguidos por um carro. O vídeo começa com o motoqueiro fazendo um gesto obsceno para o motorista. Segundo o motoqueiro, isso foi uma reação a uma fechada que não aparece no vídeo. Depois do confronto, ele pega uma rodovia.  Assista o vídeo:

O motorista saltou do carro para tentar pegar o motoqueiro, que segue em frente. Ele passa por várias ruas de uma cidade pequena e finalmente para pedir ajuda e ligar para polícia.

“Tem um cara louco atrás da gente, a gente pode esconder a moto aqui?”, pergunta o motoqueiro após toda a perseguição.

O motorista, foi indiciado por tentativa de homicídio. Nem ele nem o motoqueiro quiseram dar entrevista. A perseguição aconteceu em março de 2019 e durou cerca de 20 minutos, ao longo de 10 quilômetros. E não causou acidentes.

Em 2019, pelo menos 39 pessoas morreram assassinadas: 23 por arma de fogo a partir de uma situação de trânsito. Vítimas não só de tiros, como também brigas, facadas e até atropelamento proposital.

De acordo com um psicólogo especialista em trânsito, os danos às vítimas não só são físicos. “Entendemos muitas vezes que a lesão ocorre só do ponto de vista físico. Mas ela pode ocorrer também do ponto de vista psicológico”, explica o psicólogo Paulo José Santana.

“Às vezes, uma buzina curta sua vai gerar um impacto tão grande, ela pode sim, sem exagero, pode vir a parar de conduzir”, explica o psicólogo.

Mas afinal: por que o trânsito é mais um gatilho da violência no Brasil?

“O trânsito, você não tem escolha. Para viver, você está em trânsito. Você tem um outro ‘porém’ nesse espaço, que é o que a gente fala, relata, o anonimato. A gente não se enxerga no trânsito. O outro não nos enxerga. Por isso se fala muito. É necessária a fiscalização para coibir os comportamentos.

Geralmente você vê quando as pessoas chegam, estão fazendo alguma coisa diferente, um comportamento de risco no trânsito, e vê que tem um fiscal de trânsito, um agente de trânsito ali, ele muda, ele para. Alguém está olhando para ele. Na grande maioria, é no anonimato. Então eu não tenho pudores, digamos assim, nas minhas reações, no meu comportamento. Eu tenho a sensação que eu nunca mais vou te ver. Então, eu posso liberar talvez a minha pior face em alguns momentos para reagir devido a esse anonimato”, explica a Juliana de Barros Guimarães, psicóloga do Detran de Pernambuco.

“Ao se encapsular dentro dessa armadura que são os veículos, muitas pessoas se colocam em uma posição, ou em situação de se achar com mais direitos do que outras. Ou seja, eu desrespeito o outro para reafirmar um suposto direito que eu acho que eu tenho e que os outros não tem o tanto quanto eu tenho”, analisa o antropólogo Wellinton Caixeta Maciel.

Um desrespeito violento que afeta mais gente além da vítima.

“Para justamente amenizar essas brigas por coisas pequenas, coisas que podiam passar, se tivesse em um momento que não tivesse tão acirrado no trânsito talvez uma batida, uma colisão, não gerasse até uma morte como chegou a gerar a esse condutor, a esse motociclista”, afirma Paulo Paz, gerente de Fiscalização e Planejamento do Detran-PE.

“Essas brigas no trânsito refletem que nossa sociedade está doente. Na última blitz que a gente fez, foi engraçado porque teve gente que viu na TV que tinha psicólogo na rua conversando e saíram de casa e foram lá para falar com a psicóloga”, conta Juliana de Barros Guimarães.

“Você sai de casa, um cidadão comum, e retorna como um criminoso. Então é muito importante trabalhar essa paciência, principalmente a paciência no trânsito”, analisa o Delegado de Polícia Nilson Farias.

O diálogo na blitz psicológica dá frutos: “A gente teve agora uma discussão muito boa aqui. A gente vai levar essa instrução aqui para o nosso dia a dia, né? Agora vamos pensar duas, três, quatro vezes antes de comprar uma briga no trânsito. Não vale a pena discutir no trânsito não”, conta motorista na blitz.

Fonte
G1 Fantástico


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