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Abimadabe Vieira
Educação para o Trânsito é o Caminho, não o Obstáculo
Por Alisson Maia
Por Alisson Maia
Nos últimos dias, o país foi surpreendido por uma fala individual do ministro dos
Transportes, que defende o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a obtenção da CNH. A justificativa seria o alto número de pessoas — principalmente motociclistas — dirigindo sem habilitação.
Mas quando uma autoridade reconhece que há um problema grave no trânsito
brasileiro, sua responsabilidade não é cortar caminhos. É fortalecer as soluções.
E neste caso, a solução se chama educação.
O impacto de uma fala sem base técnica
Antes de propor uma mudança tão radical em uma política pública de impacto nacional,
é legítimo perguntar:
• Onde estão os estudos técnicos que sustentam essa proposta?
• Onde está a consulta pública?
• Foram ouvidos os especialistas das Câmaras Temáticas do Contran?
• Houve diálogo com os trabalhadores e empresários do setor?
Nada disso foi feito.
É preocupante ver um tema tão sério sendo tratado com improviso, sem dados, sem
planejamento e sem ouvir quem, todos os dias, trabalha pela formação de condutores
neste país.
Hoje, o Brasil tem mais de 15 mil empresas de formação de condutores, gerando mais
de 300 mil empregos diretos e indiretos. No Ceará, são 359 autoescolas, com mais de 5 mil empregos diretos.
O setor é essencial para a educação viária, para a economia e para a cidadania.
No Ceará, inclusive, o governo estadual mantém parcerias com as autoescolas para
programas sociais de acesso gratuito à CNH, voltados à população de baixa renda.
Esses programas têm mudado vidas — e não seriam possíveis sem a presença das autoescolas.
A omissão na fiscalização e a realidade nos hospitais.
Se há tantas pessoas dirigindo sem habilitação, a pergunta é: onde está a fiscalização no trânsito?O que se vê nas ruas é o enfraquecimento da atuação dos órgãos de trânsito em vários
municípios.
E o reflexo está nos hospitais públicos lotados de acidentados, em famílias
destruídas pela perda de entes queridos, em vidas ceifadas por um trânsito violento e desestruturado.
Seria interessante perguntar a essas famílias: vocês são a favor da exclusão da educação no processo de habilitação, como propõe o ministro?
Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com formação adequada,
consciência e respeito às regras?
Trânsito é coisa séria — não pode ser tratado como jogada populista
Usar o tema do trânsito como pauta populista em ano eleitoral é não compreender a gravidade do problema. É repetir um ciclo de descaso que custa milhares de vidas todos os anos.
Reduzir custos, desburocratizar e modernizar o processo de habilitação? Sim.
Excluir a educação e abandonar a formação responsável? Jamais.
O setor tem propostas viáveis para tornar o acesso à CNH mais justo, acessível e
eficiente. O que falta é apenas uma coisa: ser ouvido.
Há anos se tenta uma reunião com o Ministério dos Transportes, e até hoje o setor não teve resposta.
Em nome da vida
O trânsito brasileiro mata mais de 30 mil pessoas por ano. Não se combate isso
afrouxando as regras ou ignorando a formação.
Formar condutores é salvar vidas.
Educar é proteger. Valorizar a CNH é valorizar o cidadão.
O que o Brasil precisa é de mais educação – e não menos.