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João Eduardo Moraes de Melo
Gestão competente da velocidade: Pilar para salvar vidas e Revolucionar Mobilidade Urbana
Por João Eduardo Moraes de Melo
A velocidade excessiva e inadequada é o principal determinante da gravidade dos acidentes de trânsito. Quanto maior a velocidade, maior é a distância de frenagem e a energia cinética envolvida — elevando drasticamente o risco de colisões graves ou fatais.
Em muitas cidades ao redor do mundo, a adoção de limites de velocidade de 50 km/h em vias urbanas, ou até 30 km/h em áreas com intenso fluxo de pedestres e ciclistas, tem sido eficaz. Exemplos como São Paulo (Áreas 40) mostram quedas significativas nos índices de mortalidade: 24,5 % entre pedestres e 34 % entre ciclistas.
Reduções mesmo modestas nos limites de velocidade geram impactos positivos, conforme vários estudos:
• Dinamarca: redução de 60 → 50 km/h diminuiu mortes em 24 % e lesões em 9 %
• Alemanha: queda de acidentes totais em 20 % com limites mais baixos
• Suécia: redução de mortes em 21 % com limites reduzidos em rodovias
• França: abaixou o limite de 90 → 80 km/h, cortando distâncias de frenagem, mantendo recorde de menor número de mortes
• Em Nova York, baixar de 50 km/h para 40 km/h reduziu 28 % das mortes, e 48 % das mortes de pedestres
O uso de radares e fiscalização eletrônica reduz entre 11 % e 44 % os acidentes graves ou fatais. No Reino Unido, houve redução de 22 % em colisões com feridos e 42 % menos mortes/ferimentos graves. O Brasil também observou melhora: o Plano Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade gerou redução de 30,6 % dos acidentes e 20,8 % dos acidentes fatais em rodovias federais.
Medidas de moderação de tráfego — como lombadas, chicanes, calçadas elevadas, zonas 30 e woonerven (espaços compartilhados) — são eficazes ao forçar os condutores a reduzir a velocidade, tornando as vias mais seguras. A cidade de Graz (Áustria), por exemplo, adotou zonas 30 em 75% das vias, impulsionando a mobilidade por bicicleta e segurança geral.
Reduzir a velocidade não apenas salva vidas, mas também melhora a mobilidade urbana como um todo:
• Diminui o número de incidentes e acidentes, evitando congestionamentos e interrupções no fluxo viário
• Contribui para menos emissões de poluentes, elevando a qualidade de vida urbana e tornando as cidades mais aprazíveis
• Transmite maior segurança aos pedestres e ciclistas, promovendo modos de transporte mais sustentáveis e incentivando sua utilização
A gestão da velocidade é uma ferramenta poderosa — e subutilizada — na segurança viária e na promoção da mobilidade urbana eficiente. Ao combinar limites adequados, fiscalização eletrônica rigorosa e engenharia viária inteligente (como técnicas de “traffic calming”), é possível:
• Salvar vidas
• Reduzir custos sociais e de congestionamentos
• Incentivar modos de transporte mais sustentáveis e inclusivos
Por: João Eduardo Melo – Presidente Instituto VIA