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| Postado em 22 de janeiro de 2026 às 10:03

Nova CNH do Brasil avança, mas acidentes de trânsito expõem riscos da flexibilização

Nova CNH do Brasil avança, mas acidentes de trânsito expõem riscos da flexibilização

A implementação da chamada Nova CNH do Brasil, anunciada pelo governo federal como um marco de modernização, desburocratização e economia para os condutores, vem sendo recebida com cautela por especialistas em trânsito e segurança viária. Enquanto o discurso oficial destaca inovação e praticidade, os números de acidentes e mortes no trânsito reacendem o debate sobre os reais impactos da flexibilização no processo de formação e controle de condutores.

Entre as principais mudanças está a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação para motoristas considerados “bons condutores”, além da ampliação dos prazos de validade do documento e da digitalização de etapas que antes exigiam presença física. Para o governo, a medida reduz filas, custos e entraves administrativos. Para técnicos e entidades ligadas à segurança viária, no entanto, o risco é claro, menos controle pode significar mais imprudência nas ruas.

O Brasil já figura entre os países com maior número de mortes no trânsito no mundo, cenário que desafia qualquer política pública que não coloque a segurança como eixo central. Dados oficiais indicam que milhares de vidas são perdidas todos os anos em acidentes evitáveis, muitos deles relacionados a falhas humanas, imprudência e deficiência na formação dos condutores.

Especialistas alertam que a CNH não é apenas um documento, mas um instrumento de controle social e de verificação periódica das condições físicas, psicológicas e técnicas do motorista. Para eles, quando o Estado flexibiliza demais os critérios, corre o risco de enfraquecer a prevenção. A ausência de avaliações mais rigorosas pode permitir que motoristas sem condições adequadas continuem conduzindo veículos, colocando terceiros em risco.

Outro ponto sensível é o impacto da Nova CNH sobre os Centros de Formação de Condutores (CFCs). Com menos exigências e maior automação, o modelo tende a esvaziar o papel pedagógico das autoescolas, reduzindo o processo de habilitação a um procedimento burocrático, distante da educação para o trânsito. Não se trata apenas de saber dirigir, mas de formar cidadãos responsáveis.

Embora o governo sustente que não há relação direta entre a modernização da CNH e o aumento de acidentes, críticos defendem que a política carece de avaliações mais profundas e transparência nos dados. Para eles, qualquer alteração no sistema de habilitação deveria vir acompanhada de investimentos robustos em fiscalização, educação continuada e campanhas permanentes de conscientização.

A Nova CNH do Brasil avança, mas deixa uma pergunta inevitável: é possível flexibilizar regras em um país que ainda falha em salvar vidas no trânsito? Enquanto a resposta não vem, os acidentes seguem cobrando um preço alto pago, quase sempre, com vidas humanas.

Fonte
Redação TransitoWeb


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