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18/02/2026 às 7:26 | Atualizado em 18 de fevereiro de 2026

QUARESMA NO TRÂNSITO: TEMPO DE CONVERSÃO AO VOLANTE

Por João Eduardo Moraes de Melo

QUARESMA NO TRÂNSITO: TEMPO DE CONVERSÃO AO VOLANTE

A Quarta-feira de Cinzas nos lembra algo essencial: “Tu és pó e ao pó voltarás.”

Não é uma frase de medo. É uma convocação à consciência.

A Quaresma é tempo de conversão, penitência e jejum. Tempo de rever atitudes, corrigir rumos e abandonar comportamentos que ferem a nós mesmos e aos outros. Mas já pensou em levar essa reflexão também para o trânsito?

E se a nossa conversão começasse pelo volante?

O trânsito é o maior espaço público de convivência diária. Nele, compartilhamos vias, decisões e responsabilidades com desconhecidos que, assim como nós, têm família, sonhos e alguém esperando seu retorno para casa.

Converter-se no trânsito é abandonar a pressa irresponsável.

É jejuar da imprudência.

É fazer penitência da arrogância ao volante.

É trocar a buzina agressiva pelo gesto paciente.

É substituir a disputa por espaço pelo respeito à vida.

É entender que dirigir não é um ato de poder, mas de responsabilidade.

Quando aceleramos além do permitido, quando usamos o celular ao volante, quando insistimos em ultrapassagens perigosas ou dirigimos sob efeito de álcool, estamos escolhendo a cultura da morte. Estamos esquecendo que somos frágeis. Que somos pó.

A Quaresma nos chama à humildade. E a humildade no trânsito é reconhecer que ninguém é dono da via. Somos todos passageiros da mesma estrada da vida.

Que tal, neste tempo quaresmal, levantar a bandeira da paz no trânsito acima de qualquer outro propósito?

Que o nosso maior objetivo ao dirigir seja simples e poderoso:

voltar para casa bem e em paz — e permitir que o outro também volte.

Empatia não é fraqueza. É maturidade.

Respeitar a faixa de pedestre é proteger um pai, uma mãe, um filho.

Reduzir a velocidade é preservar futuros.

Dar preferência é praticar amor concreto.

Se somos pó e ao pó retornaremos, que nossa passagem pelas ruas e rodovias seja marcada pela responsabilidade e pelo compromisso com a vida.

Que possamos nos “empoleirar” na direção do veículo do amor à vida.

Que cada volante seja um altar de decisão consciente.

Que cada trajeto seja um exercício de civilidade.

A verdadeira conversão começa nas pequenas atitudes.

E talvez a maior penitência que possamos assumir seja abandonar, definitivamente, a violência no trânsito.

Porque dirigir também é um ato moral.

E salvar vidas é sempre o melhor caminho.

 

— João Eduardo Moraes de Melo – Especialista em Trânsito

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