Irene Rios

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03/11/2019 às 11:20 | Atualizado em 04 de novembro de 2019

Reunião da AFAT

Por Redação Portal

Em virtude da diminuição dos acidentes de trânsito, os associados da AFAT – Associação dos Favorecidos com os Acidentes de Trânsito – reuniram-se a fim de buscar alternativas para acabar com a crise no setor. O presidente da AFAT, dono de uma rede de funerárias, iniciou a reunião.

Reunião da AFAT

– Depois que começaram a trabalhar a educação para o trânsito com os jovens, perdi vários clientes. As mortes diminuíram muito. E não foi só entre os jovens. Foi geral. Os acidentes de trânsito representavam 50% dos funerais que atendíamos. Já tive que fechar duas funerárias.

Mirian, sócia de uma famosa clínica de reabilitação, pediu a palavra:

– Concordo com o presidente. A queda dos acidentes de trânsito tem sido um caos para nossos negócios. Minha clínica vivia lotada com pessoas se recuperando de traumas causados pela violência no trânsito. Antigamente era uma maravilha. Dos pacientes que atendíamos, muitos ficavam inválidos e tinham que fazer fisioterapia pelo resto da vida. Hoje, o máximo que conseguimos são alguns braços quebrados. Nunca tínhamos passado por uma crise assim.

Adolfo, um profissional que trabalha com serviço de guincho, também quis falar:

– Quando eu comecei a trabalhar com serviço de guincho, tinha dez carros na rua e não dava conta de atender todos os chamados. Hoje com cinco e falta serviço. Os motoristas não estão mais batendo com os carros. Assim não dá.

Amilton, um famoso latoeiro, prestou seu depoimento, indignado.

– Tinha três oficinas. Ganhava dinheiro igual à água, arrumando as latarias dos carros batidos. Hoje, por causa dessa educação de trânsito aí, já tive que fechar duas oficinas. Quase não têm mais carros batidos. O que eu faço?

Durante mais de uma hora, os participantes da reunião ficaram se queixando. Chegaram à conclusão de que não adiantaria lutar contra a educação para o trânsito porque ela estava sendo bem feita e não tinha como derrubá-la. As pessoas, através do que aprendiam nas aulas e nas campanhas educativas, estavam se conscientizando e mudando de atitudes. Então o presidente questionou:

– Se não conseguimos derrubar a educação para que a violência no trânsito diminua e, assim, possamos melhorar nossos negócios, o que vamos fazer então?

Houve um grande silêncio no auditório.

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