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“Uberização” da CNH: quando a pressa por baratear custa vidas e empregos
Baratear o custo da primeira habilitação é uma pauta legítima. Torná-la acessível é necessário. Mas transformar a formação de condutores em um mercado informal e sem critérios claros é abrir a porta para uma tragédia anunciada.
A proposta em discussão no Ministério dos Transportes — a chamada “uberização” da CNH — não é apenas uma mudança de modelo. É uma ruptura com princípios básicos de segurança no trânsito. Retirar o duplo comando dos veículos de instrução e permitir que aprendizes conduzam ao lado de motoristas sem preparo técnico para ensinar é equivalente a soltar um piloto aprendiz em um avião comercial cheio de passageiros.
Segundo o próprio setor, mais de 300 mil pais e mães de família dependem do trabalho nos cerca de 15 mil Centros de Formação de Condutores (CFCs) espalhados pelo país. Essas escolas não apenas ensinam a dirigir — elas salvam vidas, preparando condutores para enfrentar um trânsito que já é caótico e letal.
Trocar essa estrutura por um modelo “flexibilizado” é precarizar tanto o trabalho quanto a segurança. É transformar um processo sério em um serviço improvisado, colocando nas ruas pessoas sem a devida formação e aumentando o risco para todos.
O lobby dos aplicativos, denunciado pelo Portal Trânsito Web em 04/08/2025, ganha agora um reforço perigoso com falas do Secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo Costa, sinalizando simpatia à ideia. Mas é preciso lembrar: o trânsito brasileiro mata mais de 30 mil pessoas por ano. Esse não é um campo para experimentos que priorizam custo em detrimento da vida.
Se queremos democratizar o acesso à CNH, precisamos discutir subsídios, incentivos e melhorias no processo — não sua destruição. Segurança no trânsito não é gasto: é investimento.
Porque no volante, o barato pode sair caro. Muito caro.